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| Focinhos Online - A cara dos bichos na Internet |
Por Oswaldo L. Pasqualin (*) Os anos se passaram e foi-se o tempo em que o seu cachorro exibia com orgulho dentes fortes e belos. Na velhice, o cão freqüentemente apresenta problemas de dentição, e os mais comuns são o tártaro, gengivite, oclusão irregular e perda de dentes. Muita gente pensa que esses males são característicos de animais velhos, mas, na realidade, eles são conseqüência de falta de prevenção na juventude. É o caso da oclusão irregular, que significa o não encaixe perfeito dos dentes quando o animal fecha a boca, provocando o desgaste anormal e excessivo dos dentes. Às vezes, a dentina (o marfim dos dentes, que fica entre o esmalte e a polpa dentária) pode ficar exposta por causa da grande perda de esmalte. Embora provoque dor, o animal acaba se conformando com o desconforto e, muitas vezes, o dono nem chega a notar o problema. Nesses casos, infelizmente, há poucas opções de tratamento. Se o desgaste é acentuado, deve-se extrair os dentes. Outra possibilidade é a colocação de aparelho ortodôntico, mas os cães reagem muito mal ao seu uso. A placa bacteriana (creme depositado nos dentes e formado por bactérias e restos de alimentos) e o tártaro (a calcificação, ou endurecimento, da placa bacteriana) são outros males freqüentes em cães - chegam a atingir até 80% dos animais de pequeno porte com mais de 7 anos de idade. O modo de vida levado pelos "baixinhos" é o motivo mais aceito para explicar essa maior incidência. Esses cães, principalmente nas cidades grandes, vivem mais próximos das pessoas. Com isso, eles acabam usufruindo dos alimentos humanos, coisas como pão com manteiga, bolo e guloseimas, que contribuem para a deterioração dos dentes dos animais. Já os cães de maior porte tendem a receber uma alimentaçãoo mais padronizada (só ração, por exemplo), o que dificulta o aparecimento desses males. Cães com tártaro e placa geralmente têm mau hálito forte, secreção na boca (saliva grossa com aparência de pus) e, em casos mais graves, dificuldade em mastigar. Se tais problemas já apareceram, o melhor modo de controle e tratamento é a limpeza dos dentes, que são raspados um a um, ou até mesmo a sua extração. A parte da gengiva atingida pela gengivite (infecção decorrente da ação do tártaro) deve ser curetada. Outra ocorrência, mais rara e que atinge cães de menor porte, é o amolecimento dos incisivos devido à infecção da gengiva, que provoca a descalcificação da parede óssea onde o dente fica fixado. A calcificação é o tratamento recomendado. Para evitar transtornos com a boca do bicho, recomenda-se que, desde jovem, o cão se acostume em ter os dentes escovados, com escovas próprias disponíveis no mercado, e bicarbonato de sódio. Há também uma espécie de fio dental de náilon que ajuda a evitar o aparecimento de placa bacteriana e tártaro. No entanto, ela é ineficaz para tratamento quando esses males já existem. A alimentação
correta também é essencial. As rações duras
ajudam a diminuir o risco de aparecimento de problemas de dentição
porque os resíduos da ração "raspam" os
dentes, reduzindo a deposição da placa bacteriana. Ou seja,
com prevenção, muitos males podem ser evitados, inclusive
a marginalização do bicho no convívio familiar. Afinal,
quem iria brincar com um animal que exala mau hálito terrível? *
Osvaldo Pasqualin é médico
veterinário e atende em São Paulo na |
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