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 terceira idade - O que fazer quando seu amigo se transforma num velho amigo
MAIS FIBRAS, MAIS SAÚDE
Por Oswaldo L. Pasqualin (*)

A necessidade alimentar dos animais varia de acordo com a idade. Não é à toa que as indústrias de rações, atentas a esse fato, criam uma variedade cada vez maior de rações balanceadas, para constituir uma fonte de nutrientes completa para cada etapa da vida de cães e gatos.

Quanto maior a atividade física, maior deve ser o nível de energia nos alimentos. Os filhotes, portanto, precisam de mais proteína, gordura e carboidratos para garantir o bom crescimento. Na idade adulta, a alimentação deve suprir as necessidades exigidas pela atividade física. E o normal é que, com o avanço da idade, esta atividade diminua e o animal passe a recusar exercícios tanto em casa quanto na rua. Uma das conseqüências imediatas da menor atividade do cão é o ganho de peso, já que ele irá ingerir mais energia do que gasta. Em animais castrados, esses sintomas s‹o ainda mais evidentes.

A diminuição dos exercícios também altera o trabalho do aparelho digestivo. Quanto mais o animal se movimenta, mais estimula o funcionamento do intestino. Um cão sedentário, portanto, tem tendência à prisão de ventre, evacuando menos e produzindo fezes ressecadas. A solução é a ingestão de fibras, que compensam essa deficiência.

Além disso, devido à idade, os animais podem apresentar outros problemas que levam à necessidade de adequação da dieta. Na terceira idade, são comuns os animais com:

• hipertrofia da próstata (glândula do aparelho genital dos machos), que comprime e reduz os movimentos do intestino, atrapalhando a passagem das fezes;

• problemas de coluna, que podem causar paralisia parcial ou total do intestino;

• problemas nos rins, que necessitam de dieta hipoprotéica e suplementação de complexo B e vitamina C;

• necessidade de reposição de cálcio para manutenção da ossatura;

• suplementação com complexo B, vitamina A e gorduras essenciais por causa da pelagem, que pode ficar quebradiça, sem brilho, ressecada, apresentando falhas;

• suplementação com minerais (sobretudo ferro e complexo B) para animais com problema de medula óssea, que se torna insuficiente para a produção de glóbulos vermelhos.

Outra medida que pode ajudar na digestão do animal é o fracionamento maior das refeições, pois a digestão acontece melhor em pequenas quantidades. A adição de enzimas digestivas à alimentação pode garantir a regularidade da digestão. Opte ainda por alimentos de digestão mais fácil, como carnes sempre cozidas, de preferência aves; arroz; legumes fibrosos, como cenoura, abobrinha, brócolis. A alta porcentagem de fibra força a absorção maior de água para dentro do intestino, reduzindo o risco de prisão de ventre.

Em contrapartida, há velhinhos que não diminuem sua atividade física. Mesmo com a idade avançada continuam se exercitando com caminhadas, corridas, agility, etc. A não ser que tenham algum problema de saúde, esses cães não precisam trocar de dieta mesmo com o avanço da idade. Isso implicaria perda de peso, que também é prejudicial.

SEJA TEIMOSO COM OS GATOS

Se o seu pet for um bichano, a mudança da dieta vai ser mais complicada com o avanço da idade. Os gatos, por serem mais metódicos, apegados à rotina, são mais resistentes a modificações que os cães. Mas, em certos casos, a mudança de hábito é fundamental. Portanto, seja firme e paciente para o bem de seu gato.

O gato que sempre comeu carne crua não irá se acostumar de uma hora para outra com uma dieta com menos carne, mais arroz e fibras. A mudança tem de ser sempre gradual.

Misture a nova comida do gato em pequenas quantidades com aquela a que ele está acostumado, e vá diminuindo gradualmente até que deixe apenas elementos da nova dieta, semelhante à recomendada para os cães. E tenha paciência: se para os racionais as mudanças já são difíceis, imagine para quem não entende o que está acontecendo...

* Osvaldo Pasqualin é médico veterinário e atende em São Paulo na
Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 635, tel.: (0xx11) 571-2072

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