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VISÃO NA VELHICE
Por Oswaldo L. Pasqualin (*)

Ao contrário do que muita gente imagina, os c‹es n‹o enxergam preto e branco. Eles, na verdade, têm dificuldade para distinguir cores e são relativamente míopes. Ou seja, a vis‹o deles a distância é imprecisa. Também apresentam dificuldade para enxergar no escuro. Nessas condições, reconhecem as pessoas pelo cheiro ou pelo som da voz. Os felinos, ao contrário, possuem uma camada refletiva no globo ocular que otimiza a pouca luminosidade, dando-lhes uma vis‹o bem mais acurada. Também é impossível avaliar problemas de refração nos olhos (miopia, hipermetropia e astigmatismo) dos animais. Tais exames exigem a resposta do paciente e, pelo que se sabe, só o doutor Doolittle conseguia conversar com os bichos.

É exatamente pela dificuldade de comunicação e de percepção que os problemas de visão nos animais acabam quase sempre sendo detectados tardiamente. Embora algumas doenças ocorram de forma gradual, geralmente os animais são levados ao veterinário quando elas já estão em fase adiantada.

O principal problema dos animais idosos é catarata, que se não for diagnosticada a tempo, pode levar o animal cegueira. O tratamento é sempre cirúrgico, quando se faz o implante de uma lente em substituição ao cristalino danificado. Embora seja relativamente simples, no Brasil ainda s‹o poucos os veterinários que fazem essa cirurgia.

Outra doença que aparece com freqüência em animais de idade é o glaucoma - o aumento da pressão intra-ocular, ocasionado por alterações de circulação. O glaucoma provoca atrofia na retina, e a perda da visão é bem rápida. Como se trata de uma doença de difícil visualização externa, quando o animal é levado ao veterinário, muitas vezes já está quase cego. O tratamento é feito por meio de medicamentos para restabelecer a pressão no globo ocular e evitar a dor, ou cirurgicamente. A n‹o ser que o glaucoma seja tratado na fase inicial, o que é muito difícil, o cachorro não volta a enxergar.

Um animal que perdeu totalmente a visão não deve ser sacrificado ou afastado do convívio familiar. Desde que viva num ambiente que conhece bem, onde é capaz de localizar portas e móveis, consegue reconhecer as pessoas e os lugares em que está pelo olfato e pela audição, ele é capaz de se movimentar e ter uma qualidade de vida razoável.

Quem cuida do animal, deve sempre observar seus olhos, principalmente depois dos 7 anos, quando os problemas de vis‹o s‹o mais comuns. Melhor ainda se a família toda ajudar. Assim fica mais fácil perceber os sinais da perda da visão e corrigi-los.

Os sinais mais comuns so os seguintes:
- se o animal bate em objetos e obstáculos no caminho;
- se a luz incomoda;
- se tem secreções ou excesso de lágrimas;
- se o olho está vermelho ou meio fechado;
- se há mancha branca na pupila (início de catarata);
- se a córnea está opaca (início de inflamação);
- se tem alguma alteração do formato do olho;
- se a pupila está dilatada;
- se os pêlos ao redor dos olhos estão incomodando.

As inflamações da córnea independem da idade do cão. Têm a ver com a predisposição racial. As raças de focinho chato, que têm os olhos saltados e muitas pregas de pele, como o pequinês e o sharpei, ou que têm muitos pêlos sobre os olhos, como o poodle, são mais predispostas a esses problemas. As pregas e os pêlos sobre os olhos o tempo todo acaba irritando a córnea. É preciso ficar atento e retirar o excesso de pêlos sempre que necessário ou operar as pregas de pele.

* Osvaldo Pasqualin é médico veterinário e atende em São Paulo na
Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 635, tel.: (0xx11) 571-2072

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