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Ameaça para os felinos
Doença do trato urinário atinge cerca de 1% dos gatos domésticos e pode levar o animal à morte

Por Edilson Saçashima

O sonho de qualquer ser vivo é viver apenas para conjugar os verbos "comer-beber-dormir". No entanto, para muitos os felinos esse trio pode ser o início de uma grande dor de cabeça, ou melhor, de bexiga. A vida sedentária pode ser um dos primeiros passos para o animal adquirir a doença do trato urinário, que, em média, atinge 1% dos gatos domésticos e pode levar à morte.

Não existe uma única causa que gere a doença, mas alguns fatores podem levar o animal a desenvolver o problema, como a já citada vida sedentária, idade (principalmente entre 2 e 6 anos de idade), infecções e dieta com alto teor de magnésio. Machos, que possuem a uretra mais longa e estreita que as fêmeas e em forma de "S", têm maior propensão a ter esse mal. "Sem sombra de dúvida, a domesticação do gato também influenciou muito no aparecimento da doença, pois o gato fica a mercê do proprietário para trocar a sua vasilha sanitária, para lhe ofertar água de acordo com sua preferência e de ambientes barulhentos e agitados, levando ao estresse. Junte-se a isso o fato do bichano descender de um gato do deserto, produzindo uma urina muito concentrada em função da pouca ingestão de água", explica Heloísa Justen, professora assistente de patologia e clínica cirúrgica da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e que desenvolve trabalho na área de clínica e cirurgia em gatos domésticos.

A doença pode ser dividida em doenças que comprometem o trato urinário superior (rins) ou inferior (ureteres, bexiga e uretra). No primeiro caso, os gatos bebem muita água, urinam muito, ficam sem apetite, desidratam e começam a emagrecer. "São sinais de que os rins estão doentes e não retêm a água do corpo", comenta. Gatos de meia-idade ou idosos (entre 9 a 15 anos) são as principais vítimas.

Já as doenças do trato urinário inferior atingem gatos de todas as idades, mas principalmente aqueles entre 2 e 5 anos de idade. Em geral, os animais doentes urinam muitas vezes ao dia, em pequenas quantidades e com um sangue, sentem dor ou dificuldade nesse ato, permanecem muito tempo em posição de micção e podem até ficar impossibilitados de urinar. "Em alguns casos, os proprietários do animal observam o aumento do abdome, em função da repleção (enchimento) da bexiga", conta Roney Migliari, médico veterinário que trata de felinos de alguns dos principais gatis de São Paulo. "Se o proprietário do animal não observa ou suspeita da obstrução em tempo hábil (48 horas), o pet pode vir a óbito", completa Heloísa.

Prevenção

Ficar atento quando o bichano chegar aos 2 anos é o primeiro passo para identificar a doença. "Certifique-se que ele está urinando normalmente", aconselha Roney. Em relação à dieta, as rações devem apresentar baixos teores de magnésio e acidificantes. "As rações úmidas devem ser fornecidas diariamente, pois, além de promover o aumento do volume urinário, diminuem a concentração de solutos na urina", comenta Heloísa. "Os gatos devem ser acostumados desde pequenos a fazer pequenas refeições várias vezes por dia, mas sem ultrapassar o total diário indicado para o seu peso e idade", completa Roney.

Água limpa e fresca também é essencial. "Troque a vasilha várias vezes ao dia, a fim de estimular o bichano a beber mais água. O ideal é que tenha vasilhas em vários pontos da casa", diz Roney.

Uma boa opção no combate ao sedentarismo é estimular o bichano com brinquedos interativos como bolinhas e varas de pescar. São ações simples para que o principal verbo conjugado pelo bichano seja "viver bem e feliz".

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