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Veterinários adotam os florais de Bach para tratar animais com alterações de comportamento Por Bete Hope Fotos João Raposo Falafel é um dócil poodle mestiço de 5 anos. Mas seu comportamento mudou em janeiro passado. Ele se tornou agressivo com qualquer pessoa que se aproximasse de sua dona, a treinadora de cães Mara Kanczuk, 29 anos. Após quatro dias de tratamento com florais de Bach, ele voltou a ser o meigo companheiro de sempre. O diagnóstico? Estresse. "Eu me casei e mudamos de casa. Imagine que, antes, era só o Falafel e eu. De repente ele teve de me dividir com outro macho e, pior, viver na casa dele", explica Mara. A treinadora voltou a usar a terapia floral para prepará-lo quanto a chegada da filhote Chain. "Sou a pessoa mais descrente nesses coisas. Mas é evidente que, pelo menos com o Falafel, funcionou", diz ela. Os florais de Bach levam o sobrenome do médico inglês que desenvolveu, em 1928, essências de 38 flores que, ministradas em gotas, sob a língua, devolvem o equilíbrio físico e mental. Cada uma é indicada para um problema, como medo de algo desconhecido, impulsos violentos contra si mesmo ou falta de interesse. O próprio Bach experimentou a medicação em animais e concluiu que os remédios para os sintomas deles são os mesmos dos humanos. Hoje, muitos veterinários homeopatas também são adeptos da terapia floral. É o caso de Karin Herzig, de São Paulo, que usa os florais há cerca de 8 anos. Ela acredita que os animais de estimação estão desenvolvendo males próprios do ser humano, como estresse e depressão, pela proximidade com seus donos. "Nas grandes cidades, eles vivem presos em apartamentos e acabam absorvendo os sentimentos e problemas do proprietário", explica. A médica veterinária Eunice Santos Martini Parodi concorda com a colega: "Os cães são mais suscetíveis a desenvolver problemas relacionados ao emocional porque funcionam como uma esponja. Em geral, pessoas carentes os adoram; costumam dizer que eles escutam e entendem seus problemas. Eles não só ficam com cara de sofredor, mas realmente sofrem a dor do dono". Ela explica que o gato, por ser mais independente, sofre menos, por isso é difícil ver um gato somatizando o problema do dono. Mas, quando o distúrbio tem origem emocional, ambos apresentam os mesmos sintomas. Os mais comuns são diarréia, dermatites, cistite, estresse, medo, ciúmes, depressão, perda de pêlo e de apetite, agressividade ou apatia. Em geral, são provocados pela perda de alguém da família, mudança de ambiente, ausência dos donos, nascimento de criança ou animal novo na casa. Segundo Karin Herzig, a terapia floral é bastante eficaz nesses casos. Ela exemplifica com a história de um filhote, adquirido quando a dona estava de férias e dispunha de todo tempo para ele. Quando ela voltou ao trabalho, o animal desenvolveu uma diarréia, pela dificuldade em lidar com a solidão. Após uma semana de uso dos florais, os problemas foram solucionados. Espelho do dono Eunice Parodi chama atenção para as conseqüências dessa "humanização". Segundo ela, é comum o animal "compartilhar" uma doença com o dono, por isso não basta tratar apenas o bichinho. "Vejo muito pessoas doentes trazendo animais doentes na minha clínica. Eles querem ajudar o dono e, por tabela, acabam ficando mal e adoecendo também", afirma Eunice. Ela conta o caso de uma cadela com grave infecção uterina, normalmente solucionada por meio de intervenção cirúrgica. Em acordo com a dona, decidiram tentar os florais, relegando a cirurgia apenas como último recurso. "Acredito que, se retirasse o útero, simplesmente trocaria o problema de lugar. É preciso solucionar a causa, senão surge outro problema em algum lugar do organismo", explica ela. Depois de muita conversa, descobriu que a dona atravessava um momento profissional difícil. Então medicou o animal pelo sintoma da dona. Resultado: o processo infeccioso reverteu totalmente. Segundo Eunice, esse foi o primeiro caso de lesão grave que tratou com floral. Mesmo com o resultado positivo, ela prefere utilizar a terapia nos estágios iniciais. A veterinária Sandra Padovani, de Santo André (SP), diz que os florais não trazem efeitos colaterais, mas alerta que apenas um profissional qualificado pode fazer o diagnóstico correto e indicar o tratamento adequado. Ela relata o caso de um cliente que decidiu dar para a cadela o mesmo floral que ele usava, pois acreditava que a apatia do animal era causada pela depressão. Depois de uma semana, levou à clínica e descobriu que a cadela estava quase morrendo. A terapia floral ajuda a superar momentos difíceis e o preço é o mesmo de uma consulta comum. Mas antes de procurar as gotinhas para transformar seu pit bull num labrador, lembre-se: "Não se pode mudar a natureza do animal, da mesma forma que é impossível transformar um porco-espinho em uma margarida", sintetiza Karin Herzig. As 38 essências desenvolvidas por Edward Bach Agrimony
Aspen
Beech
Centaury
Cerato
Cherry
Plum Chestnut
Bud Chicory
Clematis
Crab Apple
Elm Gentian
Gorse
Heather
Holly
Honeysuckle
Hornbeam
Impatiens
Larch
Mimulus
Mustard
Oak Olive
Pine Red Chestnut
Rock Rose
Rock Water
Scleranthus
Star of
Bethlehem Sweet
Chestnut Vervain
Vine Walnut
Water
Violet White
Chestnut Wild Oat
Wild Rose
Willow
Rescue
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