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Nada de cirurgias ou medicamentos. Pequenas agulhas de acupuntura dão um fim às dores na coluna POR EDILSON SAÇASHIMA As dores nas costas não são exclusividade dos humanos. Cães e gatos também estão sujeitos a enfrentar aquela incômoda sensação na coluna. Pior, o problema não discrimina sexo ou idade. Ele pode atacar tanto jovens quanto adultos. Mas nem tudo está perdido. O martírio das dores nas costas pode ter um fim com apenas algumas pequenas agulhas espetadas no local. A acupuntura oferece alívio sem apelar a intervenções cirúrgicas ou a um coquetel de medicamentos. Traumas (como atropelamentos, batidas, etc.), hérnia de disco ou bico-de- papagaio são os motivos tradicionais que levam o pet a sofrer com dores nas costas (região lombo sacra). Raças como dachshund, cocker spaniel e pastor alemão, além do pequinês, são os pacientes freqüentes dos acu-punturistas. "O dachshund apresenta predisposição a ter esse tipo de problema devido à sua anatomia (coluna longa com patas pequenas)", explica Roberto Moreira Filho, que utiliza a técnica chinesa há 15 anos. Em decorrência da dor, o animal fica com sua movimentação comprometida. Se ele apresentar claudi-cação (o ato de mancar) nas patas tra-seiras ou fraqueza nos membros, perder sua vivacidade, ficar irritado, impedir que as pessoas se aproximem dele e, em alguns casos, perder o apetite, atenção: o bichinho pode estar com algum problema relacionado às costas. Foi o caso de Jhony, lhasa apso de 4 anos. "Ele sempre fazia uma festa quando eu chegava em casa. Mas, um dia, tentei pegá-lo e ele gritou de dor. Depois notei que o Jhony também havia deixado de andar e de comer", conta a enfermeira Valkíria Mori, 35 anos, dona do cão. Ao levar ao veterinário, foi constatado que o animal tinha uma calci-ficação do disco inter-ver-tebral. Foi nesse momento que a acupuntura entrou em ação. O primeiro passo no tratamento é aliviar a dor. "A dor provoca contração do corpo, que faz diminuir a circulação sangüínea, e isso acaba provocando mais dor. É preciso, em um primeiro momento, interromper esse círculo vicioso", diz o médico veterinário especialista em acupuntura Nelson E. Kimura. "O tratamento com acupuntura estimula a hi-pófese a liberar a endorfi-na, que é um analgésico natural potente", acrescenta Roberto. Em geral são aplicadas de quatro a 16 agulhas, dependendo da região atingida. As sessões duram, em média, 15 minutos. "Mais do que isso, não faria diferença no resultado", conta o especialista. Em geral, a acupuntura é utilizada durante dez dias consecutivos. No entanto, já no primeiro dia o animal apresenta melhora signifi-cativa. "Após a primeira aplicação, o Jhony deixou de uivar de dor e a gente no-tava uma feição mais ale-gre nele", explica Valkíria. "Além disso, ele voltou a se alimentar", completa. A duração do tratamento varia de caso a caso. "Quando se percebe que o problema foi estabilizado, pode-se interromper com a acupuntura", defende Ki-mura. Outros acupun-tu-ristas, no entanto, recomendam a continuidade das aplicações em intervalos maiores para a manutenção do estado de saúde. "No entanto, a técnica chinesa não pode garantir que o animal não terá outros problemas", alerta Roberto. Não são só as dores as indicações de problemas com a coluna. O dachshund Irum, por exemplo, ficou com as patas traseiras paralisadas e perdeu a capacidade de se movimentar. "Ele não aparentava sentir dor, mas chorava muito", conta o estudante Fernando Kurbi, dono do cachorro. Irum fez o tratamento de acupuntura e na décima sessão já andava, ainda que meio desequilibrado. Hoje, após três sé-ries de sessões, ele caminha normalmente. O QUE É ACUPUNTURA Os primeiros registros sobre a prática da acupuntura datam de mais de 6 mil anos na China. Em linhas gerais, essa técnica visa equilibrar a energia do corpo por meio da ativação de pontos ou meridianos (canais por onde passa a energia), pressionados por agulhas. Mesmo a acupuntura veterinária não é recente. Na China, durante a dinastia Chang (de 1765 a 1123 a.C.), os cavalos de batalha eram tratados com agulhas. A técnica ganhou novo fôlego há algumas décadas, quando veterinários europeus a adotaram em animais domésticos. |
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