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 saúde - Diabetes

DIABETES EM ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO
Saiba que a mesmo sem cura, a doença pode ser tratada e seu companheiro pode ter uma vida normal, como qualquer outro animal sadio

A beagle Cacau, que teve a doença
diagnosticada antes de se desenvolver

A exemplo do homem, cães e gatos também podem desenvolver o diabetes. A doença, tanto em humanos quanto em animais, tem dois tipos comuns: a diabete mellitus tipo I, que é o excesso de glicose (açúcar) no sangue, e a insipidus, que é a incapacidade de regular a água no organismo. O diabetes, se não for controlado, pode trazer sérias complicações a seus portadores. Porém uma dieta balanceada e o controle de insulina, aliados, possibilitam ao animal ter uma vida normal.

"Começamos a desconfiar de que havia algo errado com a Cacau porque ela sentia muita sede e urinava além do normal. Isto foi o que nos levou a questionar com os veterinários", diz o casal Fabio e Adriana Reis Schulz. Ao levarem a beagle, que então contava com dois anos e meio, ao veterinário, o diagnóstico: a cadela era pré-diabética. "Na verdade ela era pré-diabética. Conseguimos detectar antes da doença se acentuar. Fomos muito felizes com a escolha dos veterinários pois graças a atenção e orientação deles, ela não chegou nem a usar insulina", diz Adriana.

Mas se seu animal já tem a doença instalada, não se desespere. A melhor coisa a se fazer é iniciar o tratamento o mais rápido possível. O primeiro passo, de acordo com Ricardo Duarte, é saber que o seu bicho é diabético, vai ser pro resto da vida, no caso dos cães, e que vai precisar de um pouquinho mais de atenção do que o normal. "Muitas pessoas acreditam que apenas uma mudança de dieta é necessária para melhorar a vida do animal, mas ela sozinha não basta", diz o veterinário Ricardo Duarte. É preciso um conjunto de ações, definidas com o veterinário, para que seu cão tenha uma vida normal.

Entendendo a doença
O diabetes mellitus é uma doença do pâncreas, um órgão de pequenas dimensões, mas vital, localizado nas proximidades do estômago. Ele possui duas populações de células significativas. Um grupo produz as enzimas necessárias para uma correta digestão enquanto dos alimentos, enquanto o outro, denominado células-beta, produz o hormônio chamado insulina, responsável pela regulação dos níveis de açúcar do sangue. De um modo simples, o diabetes mellitus traduz-se na incapacidade do pâncreas regular o açúcar do sangue, por alteração da produção de insulina. Exatamente como acontece com os humanos. Mas vale ressaltar: os humanos podem desenvolver os dois tipo de diabetes mellitus, enquanto os cães desenvolvem apenas o tipo I.

E é para corrigir esta deficiência no organismo que tanto os homens quanto os animais precisam de doses do hormônio que falta no organismo.

O papel da insulina é muito semelhante ao de um porteiro: ela permanece na superfície das células corporais e abre a "porta" para a passagem da glicose da corrente sanguínea para o interior das células. "A glicose é uma substância vital que fornece boa parte da energia necessária para a vida, e tem de funcionar bem dentro das células. Sem a quantidade adequada de insulina, a glicose fica impossibilitada de entrar nas células. Acumula-se no sangue, dando origem a uma série de fenômenos que podem, em última análise, revelar-se fatais", explica Ricardo Duarte, prof. de Clínica Médica de Pequenos Animais do Creupi-SP e Doutorando em Clínica Veterinária pela USP.

Quando a insulina se encontra em quantidade insuficiente, as células ficam famintas de uma fonte de energia. Em resposta, o corpo começa a quebrar os armazenamentos de gordura e proteína para as utilizar como fontes alternativas de energia. Como conseqüência, o cão come mais. Desta forma o cão, mesmo com apetite devorador, o cão apresenta perda de peso. O corpo tenta eliminar o excesso de glicose excretando-a pela urina. Contudo, a glicose atrai a água; assim, a glicose urinária arrasta consigo uma grande quantidade de fluídos corporais, resultando na produção de uma elevada quantidade de urina. Para evitar a desidratação, o cão bebe mais e mais água. E com este quadro instalado aparecem os quatro sinais clássicos de diabetes: perda de peso, aumento do consumo de água, apetite devorador e aumento da micção (ato de urinar).

O diagnóstico
O diagnóstico de diabetes mellitus baseia-se em três critérios: os quatro sinais clínicos clássicos, a presença de um nível elevado persistente de glicose na corrente sanguínea e a presença de glicose na urina.

Fabio e Adriana Reis Schulz com Cacau: vida
normal com alimentação balanceada e
acompanhamento veterinário

O nível normal de glicose no sangue dos pets deve estar os 80-120mg/dl (4,4-6,6 mmol/L), podendo chegar aos 250-300 mg/dl (13,6-16,5 mmol/L) após uma refeição. Contudo, o diabetes é a única doença comum que provoca aumento de glicose sanguínea acima dos 400mg/dl. Alguns animais chegam a ter o nível na casa dos 800mg/dl (44 mmol/L), embora a maioria se encontre entre os 400-600mg/dl (22-33 mmol/L).

Para evitar que o corpo perca a glicose necessária, os rins não permitem a sua filtração a partir da corrente sanguínea até que um nível excessivo seja atingido. Isto significa que cães com um nível normal de glicose no sangue, não terão glicose na urina. No entanto, os cães diabéticos têm glicose excessiva no sangue e, logo, estará também presente na urina.

Para o cão ou gato diabético existe uma realidade: o nível de glicose sanguínea não pode ser normalizado sem tratamento. Embora o animal possa passar um dia ou mais sem tratamento e não entrar em crise, os cuidados devem ser encarados como uma parte vital na rotina diária do cão. O tratamento quase sempre requer algumas alterações na dieta e a administração de insulina.

Quando seu pet estiver controlado, os custos de manutenção serão mínimos. A dieta especial, a insulina e as seringas não são dispendiosas. Mas, o compromisso financeiro é significativo durante o processo inicial de regulação, assim como no caso de surgirem complicações. "Desde o diagnóstico a Cacau tem a alimentação controladíssima (só come razão diet) e fez a cirurgia para esterilização, pois com o período de "cio" os hormônios se alteram e a glicose, idem", explica a designer de interiores.

Os primeiros cuidados
Inicialmente, o animal é hospitalizado por alguns dias para lidar com a crise imediata e para começar o processo de regulação. A "crise imediata" só é grande se o seu companheiro estiver tão doente que tenha deixado de comer e beber durante vários dias. Os cães ou gatos neste estado, denominado cetoacidose, podem requerer uma semana ou mais de hospitalização com bastantes testes laboratoriais. Caso contrário, a hospitalização inicial poderá ser apenas por um dia ou dois, para que se possam realizar alguns testes e iniciar o tratamento. Nessa altura, o animal irá para casa e será o dono o responsável pela administração da medicação. No princípio do tratamento são necessárias consultas de controlo cada 3 ou 7 dias para monitorizar os progressos. Poderá levar um mês ou mais para alcançar uma boa regulação.

Outra complicação que poderá surgir é a hipoglicemia, ou nível baixo de açúcar no sangue que, se for severa, pode ser fatal. Isto pode ocorrer devido à inconsistência no tratamento. A maior parte dos cães ou gatos diabéticos necessitam de uma ou duas injeções diárias de insulina. Têm que ser alimentados com a mesma comida, em igual quantidade e no mesmo horário, todos os dias. Se o dono precisar se ausentar, o pet precisar ter assistência adequada neste período. Estes fatores deverão ser considerados cuidadosamente antes de se decidir tratar um animal diabético.

A consistência no tratamento é vital para o animal diabético. Ele necessita de administração consistente de medicação, alimentação, além de um estilo de vida estável e livre de stress. Para que se consiga melhores resultados, é preferível que o animal viva dentro de casa a maior parte do tempo. Embora não seja essencial, isto fará com que inúmeras variáveis incontroláveis, que podem causar a alteração da regulação, desapareçam.

"Hoje a Cacau tem uma vida normal e saudável. Se não fosse este alerta de pré-diabétes, ela continuaria comendo bolachinhas, biscoitinhos caninos, queijinhos... e os "inhos" que todo proprietário de animal de estimação oferece para mimar seus bichinhos", completa Adriana.

A veterinária Patrícia de Miranda também colaborou conosco nesta matéria.


Matéria publicada em novembro/2005

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