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 raças - rottweiler
DEPOIMENTOS

"Culpado é o homem, o cão só obedece"
Podiam ser de qualquer raça, mas infelizmente eram rottweilers. Foram acidentes trágicos, mas daí a dizer que o cão é o culpado? Culpado é o homem, o cão só obedece. Se foi treinado para ser cão de guarda, espera-se que ele defenda o território de possíveis ameaças.

As pessoas entraram nos territórios dos rottweilers sem consentimento. Para um cão de guarda, isso é uma agressão e eles revidaram, cumprindo com a obrigação deles. Estranhos são estranhos, independente da intenção, de ser gente ou bicho, de idade ou sexo.

O ser racional tem de criar formas de se precaver de acidentes, pois os irracionais não têm essa capacidade. No caso de Carapicuíba, a mãe e as duas filhas não tinham contato com o cão: eram estranhas para eles. Em Curitiba, o rapaz ignorou um aviso de cão feroz e invadiu o território de um animal treinado para guarda. Não adianta proibir uma raça, pois virão outras e acidentes vão continuar acontecendo se a postura das pessoas não mudar. São necessárias consciência e muita responsabilidade para ter ou lidar com cães.

Solange Carneiro,
Proprietária do canil Imperor's Sun - BA


Ter não é manter
"O rottweiler não é um assassino. Muito pelo contrário, é um cão bastante equilibrado. Só que tem temperamento forte, potência muscular e mandíbula poderosa. O dono precisa ter controle sobre o cão e adestrá-lo para obediência, senão acidentes podem acontecer.

A posse de um cão envolve muito mais que dar casa e comida. É preciso socializá-lo, mantê-lo em local adequado, ter muros altos para evitar fugas e um aviso que por trás dos muros tem um cão feroz. Ele, por sua vez, precisa ter contato com pessoas e não é recomendável deixá-lo preso durante o dia para solta-lo à noite ou mantê-lo acorrentado, pois aguça a agressividade.

Nos recentes casos ocorridos em São Paulo e no Paraná, era de se esperar aquela atitude dos cães. A solução para acabar com esses acidentes é fazer com que os donos assinem termos de responsabilidade em relação ao animal, assegurando que farão o máximo para evitar riscos. É essencial também ter controle rígido sobre os criadores, pois muitos dos acidentes podem ser causados por animais com desvio de temperamento devido a maus cruzamentos. Ter não é manter, e essa diferença é o problema de muitas pessoas, que têm um animal mas não sabem como mantê-lo.

Mônica Grimaldi,
Advogada especializada em direito animal - SP


Ele não distingue pessoas boas de más
O dever de um cão de guarda é não permitir que estranhos invadam o território. Mas ele não distingue pessoas boas de más. Um rottweiler precisa de treinamento de obediência, adestramento, controle e contato.

Temos seis rottweilers no canil, todos equilibrados e que exercem funções importantes no controle de tumultos e motins em presídios. É ótimo poder contar com esses cães, que além de serem dóceis com quem lida com eles, têm instinto de guarda aguçado, porte e feição que causam impacto psicológico e não latem à toa.

Cap. Júlio César Lopes,
Batalhão de Operações Especiais da Brigada Militar - RS


Quando morrerem os que existirem em São Paulo, acabou
Meu projeto de lei (no. 56/99) visa proibir a criação e comercialização do rottweiler, pit bull e mastim napolitano no Estado de São Paulo. Esses animais já têm temperamento agressivo, que fica agravado pelo adestramento de guarda.

Minha idéia não é sacrificar ou castrar, mas proibir a criação, pois isso diferenciaria quem ama realmente os cães dos que só pensam em dinheiro, esquecendo dos cães e da segurança dos outros. Quando morrerem os que existem, acabou. Há outras formas de defesa, e nem sempre quem entra inadvertidamente tem más intenções. O guarda humano percebe isso, o cão não; e com isso vidas podem ser desperdiçadas.

Alberto Calvo,
Deputado Estadual - PSB-SP


A culpa é da falta de conhecimento das pessoas
O pavor de assaltos está levando as pessoas a treinarem seus cães para estraçalharem quem entrar e, principalmente, a atacar pessoas estranhas. A culpa não é dos cães, mas da falta de conhecimento das pessoas a respeito dos preceitos básicos do comportamento do animal. Um cão bem treinado jamais atacaria qualquer pessoa que não fizesse os gestos de disputa de liderança, como ameaça ao domínio do território. É um comportamento herdado dos lobos, que só atacam em três situações: invasão de território, agressão e preservação da espécie (alimentação). Todos os outros motivos são ensinados por humanos.

Bruno Tausz,
Etólogo e presidente do Conselho de Cinologia da CBKC - RJ

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