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ROTTWEILER: FAMA DE MAU
A fera assassina é, na verdade, um cão meigo e pacífico

POR ADRIANA MORI
FOTOS: CÍNDIA M.
CRÉDITO: CANIL VON OLÍVIO

São números bem imodestos. Em 1999, de cada 100 cães registrados, 20 eram rottweilers. Nada mal para uma raça que freqüentou as páginas policiais dos jornais. Os recentes casos de ataques por rottweilers deixaram no ar uma pergunta: há limite para sua violência?

Um dos casos de maior repercussão aconteceu em Cotia, na Grande São Paulo. Na ocasião, houve a morte de uma empregada doméstica, vítima de ataque de um casal de rottweilers e um pit bull em Cotia (SP). "Uma combinação de erros levou àquele desfecho. Eram cães mantidos em uma área muito pequena - o que aguça a agressividade do cão - com o portão que dava acesso à rua aberto. O resultado foi fatal", diz o veterinário Maurício Nacarato.

Sua natureza, dizem os especialistas, está bem longe de ser violenta. No padrão oficial da raça, elaborado pela FCI (Fédération Cynolofgique Internationale), consta que "o comportamento e caráter do rottweiler é, basicamente, amigável e pacífico, muito apegado, adora crianças, fácil de se conduzir e ávido por trabalho. (...) Sempre atento a tudo que o cerca, reage com grande presteza". Bem diferente da besta assassina que ataca e mata.

"Um cachorro equilibrado nunca será agressivo sem motivo", afirma Bruno Tausz, criador e adestrador de rottweilers há 26 anos. Segundo Tausz, o comportamento do cachorro depende de dois fatores: bagagem genética e educação. "Quem deseja cães dóceis não cruza pais com problemas de temperamento", afirma Bruno Tausz. Aliás, cães com esse tipo de problema deveriam ser excluídos da criação, o que nem sempre acontece. Além disso, existe a forma de educação do cachorro. "O cão é a imagem dos desejos de seu dono, a forma pela qual ele é educado reflete em seu comportamento", pondera. Como uma criança, se o cão for educado para a agressividade, ele será agressivo", explica Tausz.

"O rottweiler não é um cão traiçoeiro, nunca ataca sem avisar, e quando percebe algo diferente, dá o sinal, e normalmente não é à toa", diz o Dr. Maurício Nacarato, proprietário de dois rottweilers e veterinário da clínica Amaro's Bichos, de São Paulo (SP), que atende vários canis que criam a raça. "Com o dono são muito dóceis e carinhosos, não lembram em nada o cachorro violento que pintam por aí", diz.

Wagner Coelho, criador há oito anos pelo Canil d'Odara, concorda. "Eles apreciam a atenção de seu dono, mas não são nem um pouco violentos. Minha filha de 9 anos circula livremente nos canis, entre os cachorros", diz. Segundo o criador, os cães dessa raça têm noção do que fazem. "Tanto que pulam em todos da casa, menos nela que é pequena. Eles brincam, mas de maneira mais contida", diz. Para o item obediência, Coelho também tem elogios. "Os rottweilers participam de provas de obediência com a minha filha, atendendo prontamente a todos os seus comandos", orgulha-se.

Somado à obediência, o companheirismo é outra qualidade de destaque. É presente sem ser grudento. "Adoram conviver com a família. Quando estamos na sala vendo TV, sempre tem pelo menos um conosco. Mas mal se percebe que ele está lá, pois ele se deita, quietinho e, de vez em quando, pede um cafuné. Satisfeito, ele volta para seu canto e continua lá, sossegado", relata Coelho ao contrapor o comportamento dos poodles. "São pegajosos, dependentes", compara. E a convivência? Por parte dos rottweilers, inexistente. "Os poodles ficam latindo para os rottweilers, mas eles ignoram os pequenos, passam por cima", esclarece Coelho.

Esse comportamento, de acordo com Wagner Ávila, diretor da escola de adestramento Interdogs, está diretamente ligado a suas origens. "O rottweiler é um boiadeiro, um cão de fazenda que não deve ser feroz e pode se relacionar com pessoas e outros animais, protegendo-os de eventuais predadores", confirma Ávila.
Porém, com os estranhos, a coisa muda de figura. "Esses, independente de serem bicho ou criança, são vistos como predadores. Aí, o rottweiler é implacável".

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