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Como
enxergam os cães - Parte I
Por Alexandre Rossi (*)
Diferentemente
do que a maioria das pessoas pensam, os cães não enxergam
com menos qualidade que os humanos. Quanto mais estudamos sobre a visão,
mais descobrimos que é quase impossível determinar quem
enxerga melhor, o homem ou o cão.
A dúvida
mais comum quando se fala da visão é se o cão enxerga
em colorido ou em preto e branco. A visão envolve muitos fatores
além da capacidade de identificar cores, e muitas dessas capacidades
são mais desenvolvidas nos cães do que nos homens. Portanto,
em algumas potencialidades da visão, os cães ganham de nós
e em outras eles perdem. Mas, afinal, eles enxergam colorido ou não?
Sim, eles têm a capacidade de enxergar cores, mas não da
mesma maneira que nós.
Entender
como um cão enxerga, além de ser uma curiosidade intelectual,
ajuda a compreender melhor o mundo e a natureza de seu animal de estimação.
Treinadores também se beneficiam de tais informações,
pois podem aperfeiçoar suas técnicas, especialmente para
cães que desenvolvem atividades orientadas visualmente, como é
o caso de obediência a distância, guiar cegos, trabalhar com
a polícia, etc. Neste mês, apresentaremos três tópicos
sobre a visão. Na coluna do mês que vem, você aprenderá
mais sobre campo de visão, sensibilidade e definição
visual.
As
cores
Que
cor de bolinha escolher para brincar com seu cão? Se você
for brincar sobre um gramado, seu cão localizará mais facilmente
uma bolinha azul do que uma bolinha vermelha, já que ele não
consegue diferenciar vermelho do verde, a cor do gramado. Para os cães,
as cores verde, amarelo, laranja e vermelho não têm diferença
nenhuma. Para um cão, o sinaleiro (farol ou se-máforo) não
muda de cor, pois ele enxerga da mesma maneira o verde, o amarelo e o
ver-me-lho. Para que ele notasse a diferença de cores do farol,
duas delas deveriam ser alteradas para violeta e azul, já que o
cão consegue diferenciar as cores violeta, azul e verde.
Os cientistas
acreditam que o cão enxerga a cor amarela quando olha para as cores
vermelho, verde e amarela, e seria exatamente por isso que ele não
conseguiria diferenciá-la. Meio complicado, né? A conclusão
é que os cães enxergam cores, mas menos cores do que nós.
Já a capacidade de diferenciar tons de cinza é tão
desenvolvida nos cães, que é impossível testar esse
talento utilizando somente nossos sentidos, já que não saberíamos
se os cães estariam diferenciando corretamente as diversas tonalidades.
A
luz
Vamos
imaginar a seguinte situação hipotética: um ladrão
entra em sua casa e seu cachorro está prestes a atacar o invasor.
Se você apagar as luzes da casa, seu cão terá mais
ou menos chance de sair vitorioso da briga? Partindo do princípio
que a luta, tanto na defesa quanto no ataque, necessita principalmente
da visão, podemos responder a essa pergunta se soubermos quem será
mais prejudicado pela baixa iluminação. O cão, originalmente,
era um predador com hábitos principalmente noturnos e por isso
possui um sistema visual muito mais adaptado para enxergar no escuro do
que o homem. Portanto, em nossa situação hipotética,
o cão seria beneficiado com o apagar das luzes.
O
movimento
Talvez
você já tenha tentado mostrar ao seu cão um gato a
distância e ele só percebeu o gato assim que esse começou
a se movimen-tar. Predadores como o cão estão sempre à
pro-cura de presas, e por isso é muito vantajoso que objetos e
animais em movimento se sobressaiam do resto da paisagem. Essa sen-sibilidade
a objetos em movimento é um dos aspectos mais desenvolvidos na
visão canina. Uma pessoa que só seria capaz de ser vista
pelo cão a 500 metros de distância pode ser vista a 800 metros
se estiver em movimento. Se você estiver com seu cão em um
ambiente aberto e ele tiver dificuldades em encontrá-lo, procure
se movimentar, pois isso facilitará bastante a sua localização
pelo animal. Uma outra utilização prática dessa ha-bilidade
é a utilização de sinais que envolvem movimento para
comandar um cão a distância. Esse é um dos motivos
pelos quais a maioria dos sinais para comandar um cão envolvem
movimento da mão ou do braço.
(*)
Alexandre Rossi, autor do livro Adestramento Inteligente, é zootecnista
especializado em comportamento animal e adestramento - www.bigfoot.com/~rossi
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