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| Focinhos Online - A cara dos bichos na Internet |
Por Alexandre Rossi (*) Bom, agora que acabamos de trabalhar, fazer coisas sérias e produtivas, podemos finalmente brincar! É assim que a maioria das pessoas encara a brincadeira: algo que deve ser feito apenas ao término das "coisas importantes" - quando elas terminam. Ou, então, simplesmente como uma recompensa para estimular as atividades "mais úteis". Nós menosprezamos a importância da brincadeira para a saúde mental e física das pessoas e dos animais. Brincar prepara a pessoa ou o animal para enfrentar o mundo real, ajuda a estabelecer vínculos, a aceitar papéis, regras sociais e morais. E como simples brincadeiras podem nos ensinar tudo isso? A saúde física é estimulada pelos exercícios, quase sempre presentes nas atividades em espaços abertos, e também pelos movimentos que estimulam e treinam a coordenação motora. As atividades físicas durante esses momentos são feitas com prazer, o que colabora muito para um aprendizado motor mais duradouro e sem frustrações. A saúde mental também é beneficiada. Aprender a respeitar regras, estabelecer um contato íntimo com um outro organismo, integrar-se socialmente, aprender a se colocar no lugar do outro etc., são algumas das lições que essas atividades de lazer são capazes de ensinar.
Ao conseguirmos prever atitudes e estratégias do animal, como o escape da "perseguição", conseguimos entender o processo de tomada de decisão do animal, ou seja, nos colocamos no lugar dele. Muitos animais são capazes de, também, interpretar nossas reações e prever comportamentos, tornando um jogo cada vez mais interessante para ambas as partes e permitindo um conhecimento sobre o outro cada vez maior. Esse processo gera um sistema de comunicação novo, estimulado por novas percepções, colaborando para a criatividade e a adaptabilidade da pessoa e do animal. Os animais
também ensinam o ser humano a entender e a lidar com as emoções.
Durante as brincadeiras com eles, as emoções são
vivenciadas de uma maneira mais pura, simples e direta, pois os animais
não sofrem de personalidade dividida pela tentativa de se adaptar
aos padrões da sociedade. Ao lidarmos com emoções
puras, aprendemos suas verdadeiras características, e ganhamos
com ferramentas essenciais para enfrentarmos um mundo cheio de emoções
e vontades camufladas por restrições da nossa complicada
civilização. Correr com seu animal, fazer carinhos, jogar
com brinquedos ou mesmo criar brinquedinhos são pequenas coisas
que podem trazer grandes mudanças - para você e para ele. (*)
Alexandre Rossi, autor do livro Adestramento Inteligente, é zootecnista
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