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personalidades - Tamy Simas |
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FERA
NA SELVA DE PEDRAS
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A apresentadora Tamy Simas
e sua amiguinha Polly
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"Sem
eles eu não conseguiria ficar aqui", afirma a modelo e apresentadora
Tamy Simas, 23, referindo-se aos animais de estimação que
trouxe na mudança para São Paulo. Quando o programa infantil
"Show da alegria" terminou - depois de dois anos de veiculação
na
TV Cultura Sul -,
a jovem deixou amigos e família em Blumenau (SC), e partiu em busca
de novos horizontes. Em São Paulo, começou a comandar o programa
semanal "Bichos e Cia", do Canal 21, unindo o prazer de trabalhar
com a "bicharada" - já que os ama assumidamente -, e o
compromisso social. Em apenas seis meses de programa, já alcançaram
respeitáveis méritos: Tamy recebeu das mãos da jornalista
Zildete Montiel o troféu pelo 5º Prêmio de Comunicação
e Destaque de apresentadores de Rádio e TV do Brasil, na Câmara
Municipal de São Paulo. E não parou por aí: depois
o programa recebeu o prêmio "Top of Quality", pelo destaque
no segmento Programa de Televisão da OPB - Ordem dos Parlamentares
do Brasil. E o mundo animal só tem a ganhar.
Texto
e fotos: Adriana Iász
Focinhos:
Quando começou sua afeição pelos animais?
Tamy Simas:
Desde quando eu era criança. Sempre gostei de bichos, mas
a minha família não me deixava ter animais. A minha mãe
não queria tê-los em casa. Só fui conseguir ter animais
já adulta, parece que foi como uma vingança. Eu cresci,
então agora eu vou ter todos os bichos que eu quiser: tenho dois
cachorros, três aquários com peixes, tartaruga, o que dá
para eu ter, eu tenho. Sem falar na bicharada que tenho contato através
do programa, que acabo me afeiçoando e me responsabilizando por
eles.
Fo:
O que é o programa Bichos e Cia na sua vida?
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Tamy sempre encontra tempo
para os animais
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TS:
Foi uma história interessante, eu fazia um programa infantil na
TV Cultura do sul, e eu gostava muito de trabalhar com crianças,
era uma realização pessoal. Quando terminou o contrato de
dois anos, vim para São Paulo para tentar sorte aqui. Mas, surgiram
algumas dificuldades com patrocínio, essas coisas... Foi quando
eu soube de um projeto piloto para animais. Perguntaram se eu topava fazer.
Informei-me, vi a idéia e achei bacana. Gostei da proposta de conscientizar
as pessoas a não abandonar os animais, não adquirir animais
silvestres... Que não é o indicado... Mas se ainda assim
o quiser, adquiri-lo através de criadores legalizados pelo IBAMA.
Percebi que além de eu gostar muito de bicho, eu poderia fazer
um trabalho importante e necessário, uma prestação
de serviço. Eu acredito no ideal do programa, é um prazer.
Fo:
E como está indo?
TS:
Estamos no ar há seis meses e já conseguimos realizar muitas
coisas através do programa. Divulgamos um trabalho bacana de controle
de adoção nas zoonoses em São Paulo, e cresceu o
número. Uma instituição internacional que cuida e
protege os animais também adotaram muitos dos nossos através
do Bichos e Cia. Fazemos campanha de castração, porque
acreditamos que para acabar com o abandono ou superpopulação
de animais, a esterilização seja o caminho, por isso estamos
divulgando a idéia e as pessoas estão comparecendo e levando
seus animais para castrar. Para nós isso é muito animador,
pois vemos uma resposta do nosso público, conforme esperávamos.
Fo:
O programa é dirigido a qual público?
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Tamy inicia o dia conversando e cuidando
dos animais que vivem na sua casa
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TS:
Queremos que a família nos assista, a família que curte
o bicho de estimação. Aqueles que saem num domingo à
tarde para passear com seus cachorros. O legal é que têm
as pessoas que nos assistem porque possuem e gostam de animais, e há
aqueles que gostam, mas não podem ter, talvez por falta de espaço,
ou porque trabalham fora, ou simplesmente por não poder ter. Mas,
nos assistem porque querem acompanhar, interarem-se do mundo animal através
do programa Bichos e Cia.
Fo:
Vocês falam apenas de bichos domésticos?
TS: Não. É Bichos
e Cia, para ter uma idéia, já mostramos de formiga a
tubarão. Formiga, peixe, cavalo, abelha, gato, cachorro.
Fo:
Qual é o critério na hora de escolher o assunto que
será mostrado no programa?
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Ela acredita que a criança deve
aprender cedo sobre os animais
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TS:
Eu participo das reuniões de decisão das pautas, e o que mais
nos guia é a própria curiosidade. Ás vezes a pessoa
está em uma cidade como São Paulo, e nem imagina as coisas
que existem por aqui. Um exemplo: aqui pertinho tem um lugar chamado Cidade
das Abelhas com uma bela criação, produção de
mel e aberta ao público. Você pode chegar lá e aprender
sobre tudo, desde como a abelha nasce até a sua morte... Toda a sua
vida. Temos recebido muitos e-mails de pessoas agradecendo pelo programa,
e pelo caráter educativo. O programa tem três blocos; assim:
se hoje vamos falar de onça, a nossa pauta aprofunda o tema, mostramos
o lugar que ela vive, de onde vem, os cuidados que exige, como é
a sua alimentação, os cuidados no zoológico ou no parque;
passamos detalhes, e quando não dá para colocarmos tudo sobre
o animal, o telespectador pode enviar perguntas por e-mail e a produção
responde explicando. Outro dia fizemos uma matéria sobre formigas;
no programa falamos sobre a rainha, mas recebemos perguntas querendo saber
o que aconteceria se a tirassem ou se ela morresse. Então, respondemos
que todas as formigas precisam ser retiradas do local, pois todas morrerão,
que não tem como colocar outra rainha, pois as formigas pelo cheiro
saberão que não é a rainha delas que está lá
e certamente irão matá-la.
Fo:
O que essas curiosidades pode complementar na vida ou processo educacional
de uma criança?
TS:
Com programas como o Bichos e Cia, as crianças já
crescem com a consciencia de que tudo faz parte do ecossistema, que precisamos
desde a minhoca para fazer a respiração da terra, até
do leão lá no topo da cadeia alimentar. Precisamos de todos,
uns dos outros, porque se nos respeitarmos teremos vida por muitos anos.
Fo:
Quantos cachorros você tem?
TS: Dois. A Poly, um cocker spaniel inglês
e o Trados, um rotwailler misturado com box.
Fo:
Precisa estar preparado para ter animais em casa?
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O programa Bichos e Cia apóia
a castração para controle de natalidade
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TS:
Claro, pois é um investimento, além do trabalho que dá.
Vai ser necessário gastar, e se a pessoa não estiver consciente,
vem o problema do abandono. As pessoas compram, e pensam: "Ah, é
um novo brinquedo!". Mas aí o bichinho começa a roer,
precisa de vacinas, comida, é quando desistem e acabam largando-os
na rua. É justamente com isso que queremos acabar. Por isso que
sempre falamos no programa: "Você quer adquirir um animal?
Ele é bonitinho? Então adquira com responsabilidade, ele
não é um brinquedo". Não o abandone, ele é
uma vida, merece tanto respeito quanto você. Agora, se você
não pode ter, não tem tempo para cuidar, então curta-os
no programa Bichos e Cia, é uma alternativa para quem gosta
e não pode ter.
Fo:
Você tem preferência por algum animal?
TS: Eu gosto de todos, tenho respeito
por todos, carinho por todos. Mas não resisto a um cachorro, aquela
carinha de cachorro pidão me comove com muita facilidade. Eles
fazem muitas gracinhas. É um bicho muito próximo do homem.
Fo:
Como é o seu tempo dedicado aos bichos?
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"Observar a comunidade
dos peixes é muito relaxante"
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TS:
Eu sempre encontro tempo. A Poly dorme comigo, e o Trados no quintal, porque
ele é muito grande. Acordo, converso com ela, ponho comidinha pra
ela, para os peixinhos e para a tartaruga, depois disso é que começa
o meu dia. A minha rotina inicia com o 'bom dia' aos meus bichos, então
começa o meu dia. Eu faço questão de alimentá-los,
porque vejo como uma prazer, assim como eu gosto de escovar os dentes, tomar
banho, eu gosto de alimentá-los, já faz parte da minha vida,
estou habituada. Não é nenhuma obrigação, eles
fazem parte da minha vida. Ás vezes chego super tarde, cansada, mas
antes de dormir vou lá, dou comida para eles. Tem gente que pergunta:
como que um peixe vai demonstrar alguma coisa? Eu pego o pote de ração
deles, e eles ficam loucos dentro do aquário; depois que os alimento,
ficam tranqüilos nadando. E a tartaruga também, é uma
farra. Ela abre a boca, nada. Ás vezes, deito no sofá, apago
todas as luzes, e fico observando os aquários, eu diria que funciona
até como uma terapia ... Cada bicho tem um comportamento, com o cachorro
eu consigo interagir diretamente com ele, já com os peixes eu observo
a comunidade, o jeito que nadam, a amizade, sei lá, a vida deles
está lá dentro... É muito relaxante observá-los.
Fo:
O que você diria para quem quer ter um animal?
TS: O que
você quer do bicho? Se você quer um bicho para ser meio um
enfeite, você pode adquirir um aquário, uma ave, crie um
ambiente parecido com o hábitat do animal, compre-os com criadores
autorizados pelo IBAMA, nunca em feira de 'rolos', onde as pessoas costumam
vender todos os tipos de bichos. Ou, se quer um bicho para interagir,
passear, um gato ou um cachorro são boas opções.
Mas antes de tudo, a pessoa precisa saber que esse animal vai ter um custo,
vai exigir um tempo, todo dia, algumas horas, você terá que
se dedicar a esse animal, porque é uma vida, está ali, precisa
e depende da gente. Tem que ter essa noção. Vai ter que
fazer alguma coisa por ele, alimentar, dar banho, cuidar, dar carinho.
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Na hora de alimentá-los,
a tartaruga faz uma farra
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Fo:
E tem projetos para o futuro?
TS: Temos
um carinho muito grande pela emissora que estamos hoje, e acabamos de
aumentar o tempo do programa. Então, agora é continuar batalhando
e trazer boas pautas para o nosso público. Precisamos de um tempo
para que o nosso projeto cresça como uma criança, amadureça.
E estamos no caminho. Até hoje as respostas tem sido positiva.
Fo:
Qual é o papel dos animais na sociedade?
TS: Eu sou
suspeita para falar, mas acho que são indispensáveis, porque
não estamos sozinhos no universo. Não existe só a
espécie humana que habita o planeta. Acho que temos que aprender
a respeitá-los e conviver com eles, ter a consciência que
fazem parte do mesmo ambiente que nós, que precisamos deles, tanto
quanto eles de nós. Eu acho que a vida vai fluir muito melhor para
os bichos e para as pessoas. E temos muito o que aprender com eles. O
amor deles é muito verdadeiro, é respeitoso. O próprio
leão, super temido, o topo da cadeia alimentar, mas se você
chegar em uma selva e dar de encontro com um deles, e se você não
partir pra cima dele, ele não vai te agredir. O homem é
o maior predador, porque o homem vai lá e destrói tudo,
mata os bichos, acaba com a natureza, tira as árvores, coloca fogo,
os bichos vão embora ou morrem. O homem precisa aprender a respeitar
os animais. Temos que aprender muito com eles. A nossa liberdade vai até
aonde começa a deles, e vice-versa. Eles nos respeitam muito mais,
do que nós a eles.
Programa
Bichos e Cia
Canal 21
Domingo - 15h30 às 16h30
www.tamysimas.fotoblog
Tamy Simas
veste:
Diva Divina
Rua Atílio Inocente, nº 390 - Vila Olímpia/SP
Tel.: (11) 9710-5135
Matéria
publicada em dezembro/2004
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