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personalidades - Pe. Antonio Maria Borges |
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O
PADRE DAS CELEBRIDADES... as da TV e as do mundo
"Como
é importante a laboriosa abelha que além de nos dar o doce
mel, nos dá lições de organização, de
trabalho... de "ordem e progresso". Como é importante o
boi, o cavalo para o homem do campo. Que benção é o
cão adestrado para um deficiente visual. Quantas pessoas têm
no seu cãozinho de estimação uma companhia fiel para
amenizar a solidão. Como foi importante para mim, na minha infância,
a "Negrinha", uma cabrita que me fornecia seu leite forte, saudável
e nutritivo", diz Pe. Antonio Maria Borges, sobre a importância
e respeito merecida aos animais. Muitas das letras de suas músicas,
gravadas nos 15 CDs, ao logo dos 29 anos de postulado, nasceram inspiradas
nos encantos da natureza. Por isso que faz questão, que as 300 crianças
e adolescentes, e os 56 filhos de coração acompanhados pela
instituição Obras do Amor Maior, aprendam desde cedo a conviver
e amar a cada célebre ser deste universo.
Texto:
Adriana Iász
Fotos: arquivo
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Pe Antonio em apuros
com um gatinho
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Focinhos:
A apresentadora Luiza Mell, em entrevista ao portal Focinhos, levantou
uma questão intrigante. Ela contou que chegou a visitar a Igreja
Cruz Torta, em São Paulo (no bairro Pinheiros), na qual o padre
realiza missas especialmente para a benção dos animais.
Os animais de fato não possuem alma, como afirma a Igreja?
Pe. Antonio:
Conheço bem o pároco da Igreja da Cruz Torta e sei
do carinho que ele tem pelos animais. Ele tem lá um cãozinho,
que os entendidos dizem ser da "raça" vira-lata, que
é um exemplo de participação nas missas do padre.
Comporta-se como "gente grande". Mostra-se quase piedoso. Fica
quietinho, não se distrai e não distrai ninguém.
Dá exemplo para muita gente. No livro de bênçãos
da Igreja Católica há fórmulas de bênçãos
para animais, como há para carros, máquinas, etc, etc. No
dia de São Francisco, que chamava o lobo de irmão, é
lindo ver as criancinhas levando á Igreja seus cãezinhos,
coelhinhos, passarinhos, tartarugas, peixinhos, para receber a benção
do santo amigo dos animais. Quando abençoamos os animais pedimos
a Deus que "através dos animais socorra os homens em suas
necessidades e trabalhos" e pedimos também que Deus nos "ensine
a fazer bom uso de tudo aquilo que condiciona a existência humana".
A benção para os animais é também uma benção
para nós mesmos porque nos ajuda a entender o valor dessas criaturas.
No relato da criação Deus viu que era bom tudo o que Ele
criara (Gêneses 1,31 ). Ao homem Deus infundiu uma alma imortal.
Só à criatura humana Deus criou a sua "imagem e semelhança".
Os animais não possuem alma, mas nem por isso deixam de merecer
nosso reconhecimento e carinho.
Fo:
Os animais são importantes para a humanidade?
Pe.
A: É de suma
importância a presença dos animais na humanidade! Repito:
"E Deus viu que era bom"( Gênesis 1,24-25 ). Deus que
é a causa primeira de tudo usa causas segundas para governar esse
nosso mundo. Como é importante a beleza de uma borboleta, de um
passarinho. Eles nos falam da beleza de Deus. Como é importante
a laboriosa abelha que além de nos dar o doce mel, nos dá
lições de organização, de trabalho... de "ordem
e progresso", e ajudam na fecundação das flores que
dão frutos abundantes. Como é importante o boi, o cavalo
para o homem do campo. Que benção não é um
cão adestrado para uma pessoa com deficiência visual. Quantas
pessoas têm no seu cãozinho de estimação uma
companhia fiel para amenizar a solidão, as vezes causadas pelo
desamor e abandono dos humanos. Como foi importante para mim na minha
infância a "Negrinha", uma cabrita que me fornecia seu
leite forte, saudável e nutritivo.
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Padre Antonio durante a missa
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Fo:
Acredita que os animais podem contribuir no processo educacional de uma
criança?
Pe.
A: Acredito
piamente. É por isso que temos no nosso sítio, onde as crianças
ficam de férias ou vão passar alguns dias, vários
animais: cisnes, patos, galinhas, porcos, pombos, micos, araras, papagaio,
um cão São Bernardo, chamado Mega. Temos galinha de angola,
pavões e um jumento chamado Bambino. Em casa também temos
um lindo viveiro com passarinhos e temos a Luli e o Pupilo, um casal de
cachorrinhos. É uma terapia muito boa o contato das crianças
com os animais. Eles aprendem ao vivo o respeito e o carinho que se deve
ter para com os bichinhos. Agora que a Luli ficou mãe mais uma
vez de quatro filhotes é bonito ver o interesse das crianças
em cuidar dos filhotinhos, em defendê-los. E vão assim aprendendo
também os "mistérios" da vida, da procriação,
da conservação da espécie. Faz muito bem.
Fo:
O senhor é responsável pela instituição Obras
do Amor Maior, que atende diretamente 300 crianças e adolescentes;
e indiretamente, dezenas de adultos familiares, funcionários e
voluntários comprometidos com o trabalho. O seu lar é um
orfanato no bairro Jaraguá, em São Paulo, ao lado de crianças
que o tem como pai, correto?
Pe.
A:
No momento tenho no orfanato 56 crianças. No coração
são meus filhos sim. Os que por lá passaram continuam filhos
e de vez em quando aparecem para matarmos saudades. E aí eu fico
todo orgulhoso quando meus filhos trazem seus filhos que me chamam de
vô. Nossa Obra, que chamamos "Obras do Amor Maior", quer
ser um lar, uma família para aqueles que não tiveram a felicidade
de ter essa experiência. Gosto muito de ver as fotos antigas e ver
como eles crescem... crescemos com eles e nos sentimos recompensados pelo
trabalho que às vezes é difícil, mas vale a pena.
Fo:
Como faz para manter este trabalho?
Pe.
A:
Temos convênio com a Prefeitura e com o Governo Estadual. Claro
que estes subsídios não cobrem nem a metade das despesas
que temos. Com meus Cds, shows, chá beneficente, jantar beneficente
e muitas outras atividades vamos resolvendo o drama das despesas que são
muitas. Imagine, em toda a obra temos 65 funcionários com registro
em carteira. A folha de pagamento é exorbitante e os encargos sociais
também, mas é bom. Dependemos de Deus e de sua Providência.
Ele vai provando que é um pai atento as nossas necessidades. Os
benfeitores, os amigos da Obra são as provas mais claras de que
Deus nos ama muito.
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O padre em seu sítio de
onde tira inspiração
para compor.
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Fo:
No dia-a-dia, como se relacionam com os animais e natureza?
Pe. A:
Minhas crianças relacionam-se muito bem com os animais e eu também.
Eu vejo e sinto Deus muito presente na natureza. Eu celebro, faço
festa quando uma planta, uma árvore que plantei dá as primeiras
flores ou os primeiros frutos. Outro dia "paguei mico" porque
ao notar que uma árvore, cuja semente há anos eu plantei,
estava florindo, ajoelhei-me e ergui os braços aos céus
louvando e agradecendo a Deus. Um padre, que me viu ao longe, sem que
eu o tivesse notado, à primeira vista me achou meio esquisito...
Expliquei e tudo ficou "numa boa".
Fo:
Há animais também no orfanato?
Pe.
A:
Os animais que tenho estão no sítio. O predileto é
o Bambino, um jumento que cresceu lá no sítio em Extrema.
É só ele ouvir minha voz sai numa disparada para receber
meu abraço carinhoso. O jumento é um símbolo forte
daquilo que quero ser: instrumento. Coloco-me à disposição
de Jesus para que ele possa, como outrora, entrar nas Jerusalém
dos corações montado num jumentinho: eu.
Fo:
Nas letras de suas músicas, muitas vezes os animais, os pássaros,
o mar, o céu, enfim a natureza é mencionada. Você
os tem como fonte de inspiração?
Pe. A: Realmente a natureza é
uma das melhores fontes de inspiração. Jesus já usava
a natureza para pregar a boa nova: "Olhai os lírios do campo!
Olhai as aves do céu"; "Um pastor tinha 100 ovelhas...";
"Eu sou a vida, vós os ramos..." etc, etc. Aprendi algumas
coisas com meu mestre, mas quero e preciso aprender muito mais.
Fo:
Como percebeu o gosto pela música? E quando começou a cantar?
Pe.
A: Eu sempre gostei
de música. Quando criança cantava em tudo que era festa
da escola, da Igreja e em casa. Comecei a escrever os primeiros versos
no seminário menor, a partir dos 16 anos. Eu pegava canções
"do mundo" e fazia versões religiosas para que as pudesse
cantar sem escandalizar ninguém. Hoje continuo fazendo versões
de canções populares. Decidi fazer da canção
um dos instrumentos de apostolado quando fiquei padre. Em setembro faço
29 anos de sacerdócio. Assim que o bispo me ordenou pediu-me para
cantar. Foi a primeira coisa que fiz como padre. Vi nisso a vontade de
Deus e conscientemente comecei cantando e compondo para evangelizar.
Fo:
Como se deu conta que passou a fazer parte do universo artístico?
Pe.
A: Deus
foi me preparando. Sempre gostei do mundo artístico. Quando menino
eu sonhava em ser cantor. Nasci no Rio, e ainda menino freqüentei,
na platéia, os auditórios das rádios, mais famosas
da época, especialmente da Rádio Nacional, onde eu via ao
vivo os ídolos da época cantando. Deus estava com certeza
me preparando para meu futuro trabalho. Hoje tenho queridos amigos, cantores
e cantoras daquele tempo, e Deus foi me conduzindo aos artistas para encontros
que hoje resultam em amizades. Sou feliz por ser útil, como padre,
junto a esses irmãos e irmãs.
Fo:
O senhor acha que o meio artístico faz parte da sua missão
como padre?
Pe.
A: Atribuo tudo isso a uma missão dada por Deus compreendida
e abençoada pela Igreja através de meus superiores.
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O padre que deu a benção no casamento
de Ronaldo e Daniella Cicareli diz que os
críticos de seu trabalho são hipócritas
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Fo:
Já foi criticado por pessoas que não compreendem o seu trabalho
no meio artístico?
Pe.
A: Já, mas são tão poucos os que não
compreendem, que não chega a me preocupar. Eu acredito que há
ainda pessoas, como houve no tempo de Jesus, que pensam que a salvação
veio só para uns privilegiados e não para todos. Quando
Jesus disse que veio para todos, que veio salvar o que estava perdido,
que como médico divino veio para os enfermos e por isso mesmo freqüentava
a casa dos pecadores, dos famosos da época, dos mal vistos pela
sociedade, criticaram-no e chamaram-no de beberrão e glutão.
Há gente que ainda acredita que ser artista é sinônimo
de outras coisas, que não quero nomear aqui.
Às vezes o coração de alguns artistas tidos como
"perdidos" é mais belo, mais bondoso, mais cheio de Deus,
do que o coração de algumas pessoas que se consideram já
salvas. Para esses poder-se-ia aplicar as palavras de Jesus: "Hipócritas!".
Fo:
O que diria a eles?
Pe.
A: Já disse... "quem tem ouvidos para ouvir que
ouça" ( Lucas 14,35 )
Fo:
A Páscoa está próxima. Ecumenicamente, o que representa
este momento?
Pe.
A: A
palavra Páscoa etimologicamente significa passagem. O povo Judeu
celebrava e celebra a Passagem de Deus no processo de libertação
da escravidão do Egito para a terra prometida. Nós celebramos
na Páscoa a passagem da morte para a vida, celebrando a ressurreição
de Cristo. A páscoa devia ser uma festa para todos sem levar em
conta crenças e religiões. Todos precisamos festejar a passagem
da mentira para a verdade, da guerra para a paz, da injustiça para
a justiça, do pecado para o perdão, de violência para
o respeito à dignidade humana, do desamor para o amor. E tudo isso
tem que começar em cada um de nós.
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O Padre Antonio Maria Borges e o
jumento que cria em seu sítio
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Fo:
Por que o coelhinho é um dos símbolos da Páscoa?
Pe.
A: Páscoa
é vida. O coelho é um dos animais mais férteis. Por
isso é símbolo de Páscoa, porque Páscoa é
vida contrário da morte. Ela é um convite aos nossos corações
para a fertilidade do bem, da bondade, da mansidão, do Amor.
Fo:
Qual mensagem deixaria aos leitores do portal Focinhos que tanto admiram
os animais?
Pe.
A: Continuem
vendo neles criaturas especiais. Na Bíblia há inúmeras
passagens que afirmam o que digo.
PAPO RÁPIDO
Quantos CDs: 15
Quantos anos de sacerdócio: 29 anos, farei em setembro.
As obras sociais:Temos em Jaraguá um Centro Juvenil, uma
Creche e um Orfanato. Em Alagoas estamos construindo uma creche e tem
lá casas para encontros espirituais. Em Extrema o sítio
Nova Betânia para férias e recreação da criançada,
e o convento Ain Karim onde religiosas se preparam para a missão
de servir as crianças carentes. Em Jacareí teremos, no futuro,
um centro de formação religiosa.
Onde podem te ouvir: No programa do Eli Correia, às 6h15
da manhã, pela Rádio Capital. Na Rádio América,
depois da meia noite, no programa "A visita da Mãe".
Na Rádio 9 de Julho, de segunda a sexta, das 8h às 9h30.
No programa da Cintya, pela Rádio Capital, segundas e quintas-feiras
dando, a bênção para a família que recebe a
Imagem da Mãe Peregrina que é enviada pela rádio.
Na Rádio Canção Nova, às quintas-feiras, no
programa "Porque amo Maria", 21h às 22h. Na Rádio
Metropolitana do Rio de Janeiro, aos domingos, no Programa Assim é
Portugal. E no Programa " Prá lá de Bom" todas
as terças, às 19h, na TV Século XXI com reprise no
sábado à noite.
Para saber mais: www.amormaior.org.br
Matéria
publicada em março/2005
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