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personalidades - Luisa Mell |
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A
DOCE E VORAZ PROTETORA DOS ANIMAIS
Quem
disse que cão que ladra não morde? Está aí a
Luisa Mell decidida em fazer a diferença no mundo animal para provar
o contrário. Mesmo que tenha que ladrar ... e muito?
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Luisa Mell e a labradora Gilda
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Por
Adriana Iász - Fotos Divulgação
Marina,
26 anos, a apresentadora dos programas TV Fama e Late Show, da emissora
Rede TV, ... isso mesmo: Marina! ... Virou Luisa Mell para homenagear
a avó que inspirou o amor pelo primeiro bichinho de estimação
da família. Em um momento de muito sofrimento, os cuidados dedicados
a cadelinha que foi salva de um destino trágico, recuperou o ânimo
e a vontade de viver do pai, os ajudou a superar e a aprender com uma
das experiências mais difíceis de suas vidas. A idéia
de um dos programas mais assistidos no canal nasceu quando perceberam
que eram muitos os casos de pessoa que viam suas histórias transformadas
com o convívio e o amor de um animalzinho. Leia e sensibilize-se
com a polêmica entrevista dada ao portal Focinhos.
1. Quando começou a sua afeição
pelos animais?
Luisa
Mell:
Foi quando ganhei o meu primeiro vira-lata, percebi com o convívio
que os animais são iguais a gente. Esta idéia de que o homem
é o "ser superior" não passa de uma grande bobagem.
Eles não falam a nossa língua, mas têm sua forma de
se comunicar. Eu converso muito com os cachorros. Outro dia mesmo eu estava
filmando uma arara enquanto a equipe produzia um quadro do programa, e
de repente senti algo na minha câmera. Então perguntei olhando
para a ave: "Quem mexeu aqui, foi você?", e ela respondeu
movimentando a cabecinha positivamente.
2.
Você quando era criança, conviveu próximo aos animais?
Quando teve o seu primeiro cachorro?
LM:
Não convivi com animais porque morávamos em apartamento
e era muito complicado. Fui ter o meu primeiro cão quando fiz dezessete
anos. Eu queria ter um husky siberiano, mas achamos um vira-lata. A idéia
de ter um animalzinho de estimação veio em uma fase muito
delicada. A minha avó tinha acabado de falecer tragicamente, meu
pai (Papa Camargo, o idealizador do programa Late Show) ficou realmente
abalado, todos em casa ficaram sensibilizados. Então decidimos
ir a uma feira de animais que seriam sacrificados, queríamos fazer
algo bacana. Então, escolhemos uma vira-lata pequenina que logo
no caminho já vomitou em mim ... já vi que seria amor ou
ódio, logo de cara ... estávamos em um momento com a situação
financeira apertada, e a danadinha ficou doente logo no primeiro dia,
tivemos que correr para o veterinário, de madrugada, e gastar ...
mas não me importei, eu só queria que ela sobrevivesse.
Foi uma coisa muito boa,parece até que a vida passou a ter mais
sentido.
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Dino é um vira-lata muito pararicado
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3.
Você acha que a relação com o animal é
como ter um filho?
LM:
Com certeza, sem sombra de dúvidas. Não tenho filho, mas
penso que deve ser muito parecido, pois é um amor incondicional,
você perdoa tudo. Essa é a grande lição. Olha
um exemplo, eu adoro maquiagem e um dia o meu cachorro derrubou tudo,
ele veio todo feliz pra brincar comigo e quando pulou em mim, todo estabanado,
deixou cair minha maleta no chão. E não deu outra: estragou
tudo! Claro, na hora fiquei brava, mas o que eu podia fazer? Ele veio
pra brincar comigo? É isso que eu digo, o convívio com os
animais nos muda completamente, sou muito mais tolerante, menos egoísta,
passei a ver que a vida é muito mais do que certas coisas. Sabe,
me preocupo menos com as coisas, gosto de brincar com eles, não
me importo se vai sujar ou não a minha roupa ... claro, dependendo
da ocasião, né?
4.
Como é o seu tempo com seus animais? E quando você consegue
estar com eles já que tem uma agenda bastante apertada?
LM:
É muito menos do que eu gostaria. Acredita que já cheguei
a sair para passear com eles no meio da madrugada? Era um lugar seguro,
mas todo mundo deve ter ficado assustado com aquela situação,
mas foi o tempo que encontrei para estar com eles. Agora está ainda
mais complicado, pois os meus cães estão na casa dos meus
pais, e eu estou indo morar com o meu namorado em um apartamento. Queremos
encontrar uma casa, para então levá-los comigo. Acabo os
vendo quando vou para a casa dos meus pais. Eu não tenho uma rotina
definida, aliás a minha vida não tem rotina nenhuma, o que
também tem me deixado muito cansada ... mas vejo o meu trabalho
(referindo-se a apresentação do programa Late Show)
como uma missão.
5.
Houve alguma mudança em você a partir das gravações
do programa Late Show?
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Preta, a outra vira-lata de Luisa, faz pose
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LM: Quando
eu comecei a ver algumas realidades que aconteciam, mudei completamente
a minha forma de ser em relação a algumas coisas, principalmente
na minha alimentação. A carne vermelha eu já não
comia há anos, mas depois tirei do meu cardápio saté
o peixe e o frango. Vi o sofrimento do animal, então decidi abolir
algumas coisas e optei pela soja. Acredita que vi galo de estimação?
Uma coisa que nunca imaginei que poderia acontecer, ele fica no colo, eu
passei creme na patinha dele, você chama e ele vem. Olha, cada um
tem a sua postura, não quero ser radical, só não lido
com o sofrimento. Tudo bem comer o ovo da galinha. Mas há uma grande
diferença entre você usufruir deste animal, e esquecer que
ele é um ser vivo, e é o que a maioria das pessoas faz hoje
em dia. Você vai a uma granja, os criadores cortam as asas das aves
e os mantém amarrados para engordar mais rápido. É
uma atrocidade, uma tortura! Sem falar nos hormônios e nas substâncias
que esses animais liberam com o sofrimento. Não faz bem nem pra quem
come esse animal. O fígado do bicho fica todo danificado de tanto
que eles o entopem de comida. Sabe, eu acredito em energia e nesse tipo
de coisa, e acho que o humano está ruim, e a alimentação
tem a ver com isso. Eu acredito que somos aquilo que comemos. Todo este
sofrimento não pode fazer bem pra ninguém.
6.
Você acredita que o comportamento social está ligado a forma
como as pessoas lidam com os animais?
LM:
Claro! Outro dia recebemos uma denúncia de um lugar que estavam
matando os cachorros a paulada. Chegamos no local de surpresa e já
fomos recebidos em meio a um baita escândalo, quer dizer: assumiram
logo de cara o que estavam fazendo. Depois de muita insistência,
conseguimos entrar e vimos inúmeros cães doentes e machucados,
com sarna, presos em um cubículo, um por cima do outro, chorando.
Senti um desespero com o pouco caso. As pessoas não se condoem,
não se comovem com o sofrimento do animal... pensam: "é
cachorro mesmo, é bicho, então não tem importância!"
... por isso que eu brigo, faço barraco mesmo, pois fico indignada.
No começo do programa achávamos que íamos abordar
assuntos leves, agradáveis sobre os bichinhos de estimação,
mas com o decorrer das gravações fomos percebendo que precisávamos
alertar a população, tomamos um novo rumo, o da proteção
aos animais. Eu realmente sofro quando vejo cenas assim, cheguei até
a ficar deprimida, e muitas vezes me sinto extremamente cansada, porque
me entristeço com esta situação. As pessoas se acostumam
com a maldade! Não estranhe se uma pessoa que coloca fogo em um
animal, amanhã não pensar duas vezes antes de queimar em
um mendigo na rua. Estamos falando de vida, humana ou não, mas
trata-se de vida.
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"Entristeço-me quando vejo um animal sofrendo"
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7.
E como você faz para não se deixar abater com esta
realidade e continuar em frente?
LM:
É uma loucura tudo isso, né? Por isso comecei a buscar mais
informações. Li o livro Libertação Animal
(de Peter Singer, lançado pela Editora Lugano), que foi reeditado
algumas vezes, e mostra casos de experiências científicas
realizadas em animais antes da produção de determinados
produtos, como os cosméticos, por exemplo. São dados que
levam a pessoa a refletir como alguém tem coragem de usar tais
mecanismos para alcançar melhores vendas? Entendi este livro como
um bom sinal, pois conscientiza e revela dados que poucos sabem conhecem.
É necessário ter alguns limites, assumirmos a responsabilidade
que atos como estes trazem conseqüências. Muitas dessas atitudes
são antigas, pois a igreja católica afirma que animais não
possuem almas. Cheguei a conversar com um padre sobre isso, que me explicou
que na verdade esta idéia foi criada pelo homem. Para Deus, cada
ser, cada detalhe na natureza são manifestos divinos... é
muito bacana ... este padre, da paróquia Cruz Torta (em Pinheiros,
São Paulo) faz celebrações para abençoar
os animais, então as pessoas levam à igreja cachorros, gatos,
e assistem a missa em homenagem a eles. Uma graça! Busco cada vez
mais informações.
8.
Quando você percebeu que o seu papel através do programa
Late Show era outro?
LM:
Você
já foi a uma zoonose? Numa carrocinha? ... Os animais sentem que
estão entrando no corredor da morte. São muito sensíveis
e capazes de sentirem o cheiro da morte. Foi ali que tudo mudou em mim.
São três dias de chance para a sobrevivência. Vi animais
chorando, como que implorando para sair dali, mas não podiam, dependiam
da sorte de aparecer alguém que desejassem levá-los pra
casa. Foi ali que percebi que eu tinha que fazer alguma coisa. Passei
a ver de outra forma aqueles comentários de pessoas que afirmam
orgulhosamente que adoram bichos. "Eu tenho passarinho e papagaio!"
... mas será que não dá pra perceber que é
triste para o animal estar em uma gaiola? Você já se imaginou
preso em uma gaiola? O lugar dele não é ali. Eu achava aquilo
tão triste, me incomodava! Uma vez fizemos um programa que desafiávamos
as pessoas a passar um tempo dentro de uma gaiola grande, queríamos
mostrar a dificuldade que é querer andar e não poder ...
partimos da idéia de que um gesto de solidariedade vem do momento
que conseguimos nos colocar no lugar do outro ser. Eu sempre falo: "Coloque-se
por dois minutos no lugar do animal, então você vai saber
se está dando condições adequadas de existência".
Será que isso é realmente gostar de bicho?
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"O amor por eles é incondicional,
nos ajuda a ser pessoas melhores"
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09.
E aí? Você sentia que devia ir mais além?
LM:
Sim,
mas como? Foi então que comecei a educar seriamente o meu público
quanto a importância da esterilização ou castração
do animal. As pessoas ainda se assustam muito com este tema. Mas, é
uma questão muito séria e que precisa ser falada. Um animal
que não é castrado pode gerar até 40 mil filhotes
ao longo de sua vida, cada vira-lata de rua tem uma capacidade de se multiplicar
muito rapidamente. E o que o governo faz (referindo-se aos serviços
prestados pelas carrocinhas)? Vai lá e mata o cachorro. Mas,
isso não adianta nada, a velocidade de reprodução
é tão intensa, que é preciso matar cada vez mais.
É preciso ir "na raiz" do problema. Daí surgiu
a idéia das campanhas a favor da castração através
do Late Show, chega até a ser exaustivo de tanto que falamos
no assunto, mas é porque creditamos que este é o melhor
caminho. Estamos tentando motivar um projeto de lei sugerindo que os filhotes
já sejam vendidos castrados, e aqueles que quiserem animais para
reproduzir, entrariam na classe de criadores. O ideal é que a castração
seja feita logo cedo, quando o animal ainda é filhote, pois evita
uma série de doenças e problemas futuros, como o macho que
foge quando chega na fase adulta, para ir atrás de cadelas no cio.
Porém, apesar de estar melhorando muito, esta cirurgia ainda é
uma alternativa cara, dependendo da clínica veterinária
pode custar R$ 200,00. E tem muita gente que não tem a menor condição
de pagar isto, então seus animais vão continuar cruzando.
10.
A harmonia com os animais faz uma sociedade melhor?
LM: Olha, uma das melhores estratégicas terapêuticas
com deficientes físicos faz uso de animais. Vou te contar outro
caso. Um dia fizemos um programa que mostrava um projeto de recuperação
social realizado em casas de detenção. As pessoas da organização
levavam cães nos presídios e lá eles eram cuidados
e adestrados pelas presas. Conversei com uma ex-presidiária que
disse nunca ter recebido amor, e muito menos dado. A partir do momento
que ela começou a perceber a resposta do cão, que ele aprendia
e a respeitava, com simples gestos de carinho e perseverança, esta
mulher experimentou a sensação de ser útil, capaz.
Ela viu que cada um passa a ser responsável por aquele que cuida,
educa. A pessoa fica mais sensível, seu interior melhora, ela percebe
a dor do outro.
11. E no processo educacional de uma criança,
você acredita que a convivência com animais pode ser positiva?
LM:
Depende. Pode ser muito bom, mas se o pai bate no filho, certamente a
criança vai bater no seu cãozinho. A criança deve
ser educada para assumir a responsabilidade por aquele animal. Não
basta ter o cachorro no quintal, a criança precisa entender a importância
de dar comida e água, manter o lugar limpo, tirar o cocô,
brincar, levar para passear, dar atenção. É mostrar
a responsabilidade do compromisso com o outro, este aprendizado vai contribuir
para tudo aquilo que fará na vida, pois aprenderá com o
amor, com a troca, o respeito, o compromisso com, ou, por alguém.
12.
Como estão os projetos profissionais?
LM:
Bom, estamos preparando um CD com canções educativas, interpretadas
por diversos artistas, como o Tato do grupo Fala Mansa, a Ângela
Maria, o Frank Aguiar, o grupo Fat Family, o Léo Maia, e muitos
outros. Só evitamos chamar cantores sertanejos, porque não
apoiamos rodeios. Todo o dinheiro da venda dos CDs será revertido
a ONGs e projetos nacionais para promover a castração e
vacinação dos animais de rua. Eu também canto, venho
me preparando para isso desde o ano passado com aulas. Se tudo der certo,
até dezembro, as pessoas vão poder participar da campanha
e adquirir o CD através do sistema de vendas Rede TV Shop.
Vamos falar no programa.
DIRETO AO ASSUNTO
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Nhoque deliciando-se com seu
chinelo prefrido
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Veterinários
"Existem dois tipos: aquele que realmente ama os animais e o que
faz; e o que vê a profissão como um negócio a mais.
Isto acontece, um pouco pela própria forma de ensino. Muitas vezes,
a pessoa sonha em ser veterinário. Aí, na faculdade, a primeira
coisa que vai ter que fazer é matar animais. Os professores propõem
cirurgias, abrem o animal para mostrar aos alunos o seu interior e depois
precisam matá-lo. Eu cansei de mostrar métodos de ensino
que não precisam usar animais vivos. Na Inglaterra, por exemplo,
é proibido o uso de animais. Isto não é mais necessário.
O aluno acaba aprendendo a lidar com os animais desrespeitando ou diferenciando
os casos conforme o poder do retorno financeiro de cada um".
Casaco
de pele
"Pra mim é a maior barbaridade. Os animais são criados
dentro de uma gaveta só com o propósito de virem a ser um
acessório. Este casaco tem angústia, tem sofrimento, tem
dor ... pra que vestir algo assim? Com que direito podemos fazer isto
... é preciso ter limite ... e hoje temos inúmeras alternativas,
o próprio sintético".
Circo
"Sou contra a exposição dos animais. Pra mim, isso
não é arte. Para adestrá-los os treinadores batem,
jogam areia nos olhos dos bichos, é uma covardia".
Ética
"É preciso se envolver na causa, acreditar, dar limites. Nem
tudo é permitido na vida. Não podemos cair no conformismo".
Resultados
constados pós-Late Show
"Diminuiu representativamente o número de sacrifícios
de animais e abandonos. As pessoas estão mais receptivas ao vira-lata,
o que também representa quebra de preconceitos. Estão mais
informados quanto a castração".
Filhotes
"São lindos, fofos! Mas dão trabalham e crescem! As
pessoas precisam ter esta consciência antes de resolverem adquirir
um bichinho de estimação".
Programa
Late-Show
Aos Sábados - às 16h15
Na Rede TV
Matéria
publicada em setembro/2004
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