Trauma
Passageiro
Cirurgiã americana fala de sua técnica revolucionária
para a cura de fraturas em cães.
POR DENISE
BOBADILHA
FOTOS JOÃO RAPOSO
No
toque. Esse o conceito defendido pela cirurgia e professora americana
Ann L. Johnson quando se trata de fraturas em ces. No tocar significa
mexer o mnimo possvel no osso quebrado, pois o prprio organismo se
encarregar de curar-se. Ou seja, invs de uma complicada cirurgia para
reconstruir a regio acidentada, o veterinrio pode apenas alinhar o osso,
colocar pinos externos e esperar. Os estudos desenvolvidos pela doutora
Johnson na Universidade de Illinois, EUA, foi apresentado aos brasileiro
no ano de 2000. Ann L Johnson uma autoridade internacional em cirurgia
ortopdica, uma das reas mais delicadas da veterinria. " As clnicas
sofrem com o problema porque, na maioria dos casos, o animal que sofreu
um acidente chega em pssimas condies e o diagnstico de seu quadro
dificultado pela falta de equipamento, o que pode atrasar o socorro
e leva-lo a morte, diz o mdico Jorge Meneghello.
Outra veterinria brasileira, a professora Sheila Cavanese Rahal, da cadeira
de cirurgia de pequenos animais da Unesp de Botucatu (SP), uma entusiasta
do trabalho da americana. Rahal estagiou durante um ms ao lado da doutora
Johnson, em Illinois, e aplica seus conhecimentos em aula e no hospital
da universidade. "A tcnica comprova que se deve invadir o corpo do animal
ferido o menos possvel", explica. "Para curar uma fratura, o mtodo mais
utilizado dentro dessa linha a aplicao da placa e do parafuso." A
placa fixada no osso, e pode ficar no co para sempre. " os livros antigos
ensinavam a reduzir a fratura, mexendo em toda a regio e colocando tudo
no lugar, tecidos e ossos, pedao por pedao. Mas possvel apenas fazer
o alinhamento do osso, fixa-lo com a placa e o pino ou um fixador ( pinos
que atravessam o osso e so ligados externamente por uma barra) , e no
mexer em mais nada.
O organismo responde sozinho e a cura mais rpida e menos traumtica."
A velocidade da recuperao foi comprovada num estudo realizado pela doutora
Johnson e sua equipe em 1998. Quinze ces com fraturas variadas foram
operados e receberam pinos e placas em cirurgias que levaram em mdia
1h30. Outros 20 cachorros nas mesmas condies foram operados de acordo
com o mtodo antigo, uma operao que ultrapassa trs horas. Os que foram
tratados com a tcnica no-invasiva recuperaram-se em aproximadamente
dez semanas. Os outros levaram pelos menos duas semanas e meia a mais.
" impressionante o que a natureza capaz de fazer, sozinha, quando
nada atrapalha o caminho dela", declarou a americana. Leia agora a conversa
por telefone com a Focinhos.
FOCINHOS
- Qual a maior dificuldade de um mdico ao se depara com um co com fraturas?
ANN JOHNSON - O mais importante a velocidade e o discernimento
na tomada de decises do mdico ao receber o paciente. Ele precisa descobrir
quais os procedimentos precisam ser tomados rapidamente. Alm de decidir
como curar, precisa saber o que usar, o que melhor para o co e para
os eu proprietrio. O sucesso da recuperao depende da idade do animal,
do tipo de fratura e da habilidade do dono de tomar conta dos implantes
durante o perodo de recuperao.
F - Seus
estudos com a tcnica no-invasiva abriram um novo campo na cirurgia ortopdica.
Quais as principais vantagens deste tipo de interveno?
JOHNSON- O item mais importante que notamos como estudo, foi que,
toda vez que se tenta tirar os fragmentos d e ossos e do tecido que envolva
a regio fraturada, e tenta-se colocar os mesmos pedacinhos novamente
no lugar, a recuperao prejudicada. O corpo bastante forte em sua
resposta biolgica. Quando se coloca um osso quebrado de volta e, seu
lugar e no se mexe mais com ele. Os fragmentos acabam sendo reabsorvidos
na estrutura do novo osso que se formou, o co sofre muito menos com a
cirurgia.
F - Esse
tipo de soluo a para o trauma pode diminuir as chances de o animal ser
sacrificado por causa do acidente?
JOHNSON - A deciso pela eutansia do animal deponde, na maioria
dos casos, do proprietrio. Uma cirurgia para implantao de pinos externos
pode ser cara para as condies do dono, e os cuidados que so exigidos
no ps cirrgico demandam do tempo e disposio. s vezes o proprietrio
no concorda em fazer uma cirurgia e opta pelo sacrifcio por saber que
no ter condies de enfrentar meses de recuperao. uma questo de
tempo e dinheiro. Mas algumas pessoas tratam seus pets como crianas,
e pagam qualquer preo para v-los bem. No existe at quem pague para
clon-los? Pois , consertar uma fratura bem mais fácil.
F - Existe
relao entre a osteoporose e a incidncia de fratura em ces?
JOHNSON - No reconhecemos a osteoporose como agente complicador
de fraturas em ces, ao contrrio do que acontece com humanos com a mesma
doena. Alguns cachorros de porte pequeno so portadores de osteoporose
e pulam e brincam normalmente, sem provocar rupturas nos ossos.
F - Qual
a parte do animal mais propensa a fraturas?
JOHNSON- O fmur, com certeza, o osso mais atingido, seguido
pela bacia e a parte inferior do co. que a maioria das fraturas provocada
por atropelamentos, que atingem a regio inferior.
F - A
letalidade de um acidente depende do tipo do osso atingido?
JOHNSON - No, o trauma: ou seja. O quadro geral do organismo
aps um acidente que determina se a fratura pode ser fatal. O mdico veterinrio
tem de ter a habilidade de detectar perfurao em rgos, uma concusso
cerebral e outras conseqncias do acidente. A fratura est ali e pode
ser facilmente detectada, mas antes de cuidar do osso preciso olhar
o animal como um todo, atenciosamente.
F - Em
quanto tempo o co fica curado de uma fratura aps a interveno cirrgica?
JOHNSON- Geralmente, o perodo de recuperao dura 12 semanas.
Em filhotes, a cura pode acontecer em 4 semanas. Mas em trs meses servem
como mdia para os adultos. Nesse perodo, preciso montar uma pequena
enfermaria em casa, manter o cozinho imobilizado passear sempre com uma
coleira quando isso for permitido e nunca deixa-lo correr sozinho.
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