Pastor Alemão

O veterinário se refere a ele como o cão do canil 45. Tinha aproximadamente 9 meses e era considerado um agressor. "Foi paixão à primeira vista. Assim que o vi, me aproximei e passei a mão em sua cabeça. Ele ficou contente, balançou o rabo, se contorcia de alegria. Naquele canil imundo, pisava na corrente e em suas próprias fezes. Pedi que abrissem o canil e tirei a corrente daquele cão agressor que saltava de felicidade por alguém estar lhe dando carinho", lembra.

Dr. Werner passou a visitá-lo todos os dias, tirava-o do canil e brincava com ele. Decidiu adotá-lo, pois precisava de um cão para tomar conta de sua casa. "Eu chorava ao ver aquele pastor carinhoso e brincalhão deitado num canil imundo. Troquei sua água após limpar o box e o coitado estava morto de sede. Tomou pelo menos quatro vasilhas", conta.

No começo, não podia levar o cão pois era um agressor e teria de ficar dez dias em observação. O veterinário aceitou aguardar, até que 20 dias se passaram. Nesse tempo, os veterinários do CCZ diziam que não liberariam o cão. "Eu tentava argumentar, pedia avaliação de temperamento. No último dia, me propus a me responsabilizar por escrito pela guarda do cão, aquele cão que tinha se tornado especial para mim não poderia ser mais um a ser morto por indiferença à vida. Então me disseram que o cão estava sendo sacrificado naquele dia. Era o fim do cão do canil 45", lembra, indignado.

Apesar disso, o veterinário conseguiu tirar dois outros cães do CCZ. "Eram animais com os quais tive uma afinidade maior", explica. Um deles, uma cadela com seus quatro filhotes, o outro, um poodle com fraturas nas pernas. "Imobilizei uma das pernas e engessei a outra. Quando ele ficou bem, consegui encontrar um dono responsável para ele", orgulha-se.

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